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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Galos, Noites e Quintais - Aventura 3

DESVENTURAS DO MEU PRIMEIRO BEIJO

Eu já contei aqui que comecei a sair regularmente para a rua já com sete ou oito anos. Nessa idade os meninos e as meninas com quem convivi já estavam cobras criadas. É impressionante o nível de maturidade de uma criança da periferia em relação aos "meninos de prédio"*, principalmente no quesito sexualidade. Até então a única noção que tinha sobre sexo descobri lendo lgumas revistas pornôs do papai que achava escondidas embaixo do colchão. No primeiro momento, aquelas imagens pareciam mais uma agressão do homem contra a mulher.

Mas eis que, numa festa organizada por meu tio, um amigo meu e eu brincávamos com uma menina já conhecida dele, mas não minha. A vi pela primeira vez ali naquele quintal enorme. Brincamos a tarde toda de namorar com ela, e disputávamos pra ver quem a ganharia de fato. Brincando disso. Nós três. E nos divertimos muito esta tarde.

No outro dia pela manhã, quando chegava da escola, minha mãe disse que a minha namorada estava me esperando no quintal. O.o Como assim namorada? Minha única noção sobre namoro era que namorados se beijavam. Além disso, eu nunca tinha pensado em ter uma namorada de verdade. Meio desesperadamente, do portão de casa até o quintal onde ela me aguardava eu pensava: "Por que ela não resolveu namorar de verdade com o outro?" Como me livraria dela?

Claro que minha mãe não se importou com o fato de ter uma menina me esperando no quintal, afinal ela é super machista ("prendam suas cabritas, pois meus bodes estão soltos"). Mas eu me importava. Não entendia de namoro mas não queria ter uma namorada, só não sabia como dizer à minha "namorada " isso. No fim das contas, passamos a manhã quase toda juntos. Eu sem graça, ela com aquela cara estranha de entusiasmo. Até que voltamos ao mesmo quintal onde nos conhecemos, onde morava um amigo meu mais velho. Arrumei algo pra ela fazer, não lembro o quê. Minha estratégia era deixá-la distraída enquanto tentava descobrir com um cara mais velho como me livrar dela.

- Ailton, ela tá dizendo que é minha namorada. Mas não quero namorar com ela. O que eu faço?

- É simples, Agô, fala pra ela que tu só namora se ela deixar tu comer ela.

Eu não sabia o que era comer, mas achei uma ótima estratégia (afinal não tinha outra mesmo). Então a levei para o banheiro da casa dele (localizada nos fundos da casa, na verdade), como me foi sugerido, e falei exatamente como me disse: "só namoro contigo se tu deixar eu te comer". Percebi que não foi a coisa mais esperta do mundo quando ela arriou a saia e a calcinha na minha frente com a maior naturalidade do mundo e disse "tá". Quando ela abriu um pouco as pernas e encostou na parede, eu lembrei daquelas revistas do papai e olhei para a minha "arma de agressão"  mais encolhida do que meu ego ao me perceber "vítima de uma sacanagem". O detalhe interessante da cena é ela na minha frente nua e eu olhando por dentro do meu short o meu pênis mole, mole, enquanto tentava desesperadamente encontrar uma saída.

Só consegui foi dizer a ela que não ia fazer aquilo porque não queria namorar, por isso seria sacanagem (deveria ter dito isso antes, mas tenho extrema dificuldade pra dizer não). Porém pedi pra não dizer contar a ninguém minha "falha". Finalmente, para compensar tudo eu daria um beijo nela. Ela topou. Vestiu-se tão naturalmente quanto se despiu e eu, pra beijá-la, fiz aquele biquinho de selinho e fui em direção à boca dela (ridículo, né?). Quando eu dei por mim ela já tava com a língua dela fincada na minha boca e eu lá chupando. Ou seja, por muito pouco no mesmo dia do meu primeiro beijo também não deixei de ser P.V. Foi minha primeira broxada também. A menina deveria ter uns nove anos e eu uns sete. Ela já havia transado com pelo menos uns cinco meninos e eu nem batia punheta ainda. Obviamente ela contou pra todos os meus amigos minha moleza e no outro dia ela foi trepar com o outro namorado da brincadeira. Eu, sinceramente, na época não entendia patavinas daquela malhação sofrida durante algumas semanas. Nem me importar eu conseguia. Hoje em dia dizer "só se eu te comer" é tão difícil de dar certo...

_________________
*Expressão que aprendi com minha amiga Sara Portal.

16 comentários:

Sara Portal disse...

não tá linkando meu blog já disse

Sara Portal disse...

ao menos tive os créditos nesta bagaça...


srsrsrsrsr

Adison César Ferreira disse...

Devo confessar que tu já tinha me contado essa desventura uma vez. Mas a forma como descreveste ela aqui foi foda, literalmente foda...
abraços companheiro, sou teu fã!!

Valéria Sorohan disse...

Paixões encantadoramente adolescentes nos acompanham pela vida inteira. Bom quando temos coragem de vivê-las. E é na inversão das coisas, que as coisas acontecem.

BeijooO

Altavolt disse...

Caro Eraldo, acho que essa sua história reflete fielmente as lembranças de todos nós que tivemos uma infância simples e muito saudável. Vivi, na periferia de SP, situações muito parecidas aos seis, sete anos. Outros tempos, muito mais românticos e singelos dos que os dias atuais. Bateu uma nostalgia boa daquela época! Abração!

Luna Sanchez disse...

"...e no outro dia ela foi trepar com o outro namorado da brincadeira."

Eu ri alto...rs

Começo a achar que meu primeiro beijo, aos 12 anos, em uma sala de aula vazia, e sem essa de baixar calcinha, foi suuuuuuper normal.

* Adoro aqui!

Beijo, beijo.

ℓυηα

Fátima disse...

rsrs.. Adorei sua primeira desventura quase sexual.
Texto cativante.

Beijo meu

Déia disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKK

To em dúvida se choro ou se dou risada!

lendo isso, vi como fui uma criança ingênua, e preferi me manter virgem até os 18.
Até os 15 aproveitei pra brincar de susy, pula sela e pular elástico rsrsrs

E esse povo, dando outros tipos de pulos por aí!

Ahh se o tempo voltasse, né? rsrsrs qtas calcinhas vc n teria arriado rsrsrs

bj

Nara disse...

Mas eu tô chocada!

E nessa idade brincava de boneca! Toda boba!

:O

Beijo,
Nara

Tânia Meneghelli disse...

Caraca, Eraldo!

Mas que paulinisse arretadíssima, fio!

O final, então, foi apoteótico, ADOREI! kkkkkkkkk!

Mas a menininha, hein? Vamos combinar que já estava bem rodadinha pra quem tinha apenas nove anos... Ainda bem que o seu... A sua... O... Bom, que houve um mau funcionamento da pecinha, digamos assim. Já pensou se você pega uma gonorréia brava? kkkkkkkkkkkkkk!

Muito bom o texto. Aliás, como sempre.

Beijoca, querido!

[Ananda] disse...

Nossa,q história,realmente,garotos da periferia e de rua crescem muito mais rápidos que os "garotos de prédio",tanto meninos quanto meninas,não sei se isso é ruim,mas acho q vc curte bem mais infância ,rua,e conhece coisas bem mais rápido q a maioria.Lembrou das malditas casinhas q eu era expulsa por ser x9.
Ahhh,tempos bons esse,tirando issoq deve ter sido mó constrangedor pra vc em.

Nini C . disse...

Adorei, me surpreendeu e me fez rir, rs... Beijos...

Flávia disse...

Aos sete ou oito, se bem me lembro, eu, ao invés de cobra criada, não passava de uma minhoquinha imberbe - ao contrário da maioria dos meus amiguinhos. Ainda dou risada quando me vem à memória o dia em que perguntei, completamente sem jeito, "não sei como se faz, serve um sonho recheado?" ao menininho que um dia teve a insensata idéia de me medir um beijo atrás do laboratório de biologia do colégio.

Delícia seu texto!

Beijos

Flávia disse...

Escrevi "medir"? Leia-se "pedir". Medir um beijo não dá.


Beijos outros.

Atitude: substantivo feminino. disse...

Nossa eu com 14 brincava de barbie vc reclama que seu pau aos 8 anos estava mole!!! Que é isso gente???!!!
Que rapidez é essa???
Onde vamos parar assim?!
Olha..eu ri muito mas me assustei com a velocidade das coisas e a naturalidade da menina!
Estou vééiaaa

António Rosa disse...

Sou seu fã. É uma escrita moderna e bem narrada, além de ser uma lembrança de infância. Muito bom.

Adorei esta frase: «"prendam suas cabritas, que meus bodes estão soltos"»

:)))))